DURIDGE_WESTERLEY
O DESAFIO
Quero vê-la escrevendo sobre o amor.
Quero vê-la escrever sobre o amor
não importa o que foi
o que estáo que virá
o que esperas...
se sobre todos
se sobre tudo
um em especial
não importa quero vê-la falar sobre o amor
o sentido...o intenso,o raivoso, o ferido,o indiscreto
o que doeu, o inesquecível, o que marcou, o que salvou,
o que prestou, não importa quero vê-la perceber o amor
para os vividos, agitados e os quietos
não importa quero vê-la discorrer sobre o amor
o alegre , o triste, o insano , o real
o plural, o singular, o místico, o sem mistério o fugaz,
o para sempre não importa
eu quero vê-la ditar as palavras sobre o amor
o fugidio, o assaz o secreto
com forma, de todos os modos
quero vê-la dizer tudo
que ainda não dissestes sobre o amor
no contemporâneo, no desatino dos tempos
na razão perdida, nos desencontros escancarados
na bebida derramada
eu quero vê-la expressando as incertezas do amor
origens de seus medos
causas de suas dores
movimentos concretos
que fizeste na cama da vida
experiências em realidade, pontos definidos
seus dramas em estórias
eu quero vê-la arrebatar-se nos ensejos do amor
eu quero vê-la ditando um indireto discurso
quero senti-la quando o assunto
é o amor. della-porther
OS DESAFIADOS
Amar
Ter mãos com garras capazes de segurar os ventos
Ser içado no ar pelos pensamentos simples de lembrar quem se ama
Possuir sentires tão violentos que atormentam como algozes
Ou afagam como cordas de seda a voluntários enforcados dos afectos.
Ter olhares incorrectos insurrectos,blasfemar abençoar de perto ou longe
Ser herói e ser monge em concentrar-se num só alvo.
Por fim esquecer ou ser esquecido
De preferência depois de ser correspondido.
Amar?
É ser-se Salvo!
Porque quero que haja lugar para os homens escreverem sobre o amor...
Porque escrever sobre o amor é repetir o que já foi, um dia, escrito...
Deixa-me escrever, somente, que...
"O amor é..."
E mais não escrevo... porque acrescentar algo mais seria empobrecer o amor.
sinto as tuas mãos nos meus cabelos
escorregando entre teus dedos
e o passeio que eles fazem no meu corpo
sinto as minhas mãos nos teus cabelos
escorregando entre os meus dedos
e o passeio que eles fazem no teu corpo
sinto
a curva das tuas sobrancelhas
os teus lábios
o teu pescoço
os teus ombros
o teu peito
e
tudo o que se segue
sinto
que o encontro dos nossos corpos,
meu amor,
sabe sempre a pouco
gabriela rocha martins
Colectânea "Inquietações" ,Editorial Minerva ,Lisboa,Março:2006
Numa corrida, amor apressado, voraz, atira a sua flecha e acerta em mim.
Caio, estatelo-me, sem querer, e rendo-me aos beijos, aos abraços, ao corpo, às entranhas.
E sou mulher, animal; cambraia e sisal; nuvem e lua; estrela crua.
É isso amor?
Não existe nada melhor que viver amando.obrigada
São Salvador - Lisboa
irmãs também em amor